Dia 14



Eu tenho ídolos. Não um, ou dois, mas a cada segundo um novo deus surge em meu altar.
Quando dobro uma esquina estou pronta pra me apaixonar. O que vem.. e acontece agora me ascende um desejo autentico e intenso.
De peito aberto, cara limpa.. alma lavada de preconceitos.
Eu sou mutável. Quase que essencialmente.
Quando minha boca profere um sim ele não tem, em absoluto, caráter definitivo. 
Mudo porque preciso, porque quero e porque gosto.
Perambulando eu sigo entre o que foi e o que deixou de ser.. pra fazer voltar à tona qualquer vontade já passada conforme assim eu bem entenda.
Digo, nego, digo novamente. É minha prova de mortalidade.. Inteligência, medo, ou apenas vontade como já disse antes.
O que inspira minhas linhas num papel é o que me salta aos olhos hoje. Amanhã nem sei, parafraseando algum desses ídolos de minuto. 
O que eu não sou é superficial. Rasa, branda.. Não, eu não sou.
Há aquilo que permanece em mim. Que vem e fica, faz parte. 
O que cabe no meu silencio, que veste minha coragem. O que é. Impregnado entre os fios do meu cabelo tal qual o perfume que sempre uso.
O resto só está. 
Eu tenho ídolos. E faço uso deles para meu próprio deleite.
O presente me toma tal qual uma amante nua nos braços.. me possui sem pudores, por inteiro.
E quando amanhece o dia ele vai embora. Por vezes deixa marcas no meu corpo, outras na alma. Raramente atinge o peito, toca o que sinto. Vai porque presente já não mais é e sendo assim, não me apetece mais.

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